A cabra e o búfalo

Era uma vez uma cabra (sim, uma cabra) que andava saltitante pelas montanhas, quando, em um belo dia, avistou um búfalo enorme e muito bonito a pastar em suas bandas.
A pobrezinha ficou encantada com toda a imponência do grandalhão e decidiu fazer amizade: “Boa tarde, senhor búfalo, me pareces mui elegante e educado, podemos ser amigos?” – disse a ele toda sorridente.

Ele, por sua vez, lançou-lhe um olhar fulminante: “Boa tarde. Podemos. Só não atrapalhe o meu lanche, pois não quero ser incomodado.” – respondeu enquanto ruminava.
A cabrinha ficou toda feliz e concordou.

Depois daquele dia os dois se encontravam diariamente no pasto e passaram a conversar antes e após o lanche, criando assim uma amizade quase que impossível.
O búfalo se mostrou um cordeiro de tanta doçura e a pequena cabra achava aquilo maravilhoso, chegando até a pensar que eram da mesma espécie, feitos um para o outro.

Um belo dia, em meio a uma discussão, o búfalo (não aceitando a opinião contrária a sua) pegou um impulso e correu até acertar uma cabeçada na pobrezinha, jogando-a muito longe do local onde estavam. A cabrinha (por pouco não morreu) se machucou muito, não conseguiu levantar e o grandalhão desapareceu, sem nem sequer procurá-la pelos arredores para certificar-se de que ela estava bem (ia dar merda, estava na cara desde o começo).

Depois de muitas lágrimas e machucados quase cicatrizados ela começou a se levantar para seguir o seu caminho e avistou um coelho vindo rapidamente em sua direção.
Esperou que ele chegasse perto para fazer uma cara de quem estava em ótimas condições e o coelho, por sua vez, foi chegando e logo dizendo: “Dona cabra, senhor búfalo pediu para que lhe dissesse que amanhã virá ao seu encontro para que conversem” – e saiu correndo pelo pasto a fora até desaparecer.

A cabra, que já estava bem, voltou a se entristecer e se sentar para esperar o dia seguinte, onde finalmente resolveria este grande problema e receberia de bom grado suas desculpas.

Dia seguinte. Já era noite e o grandalhão não apareceu.
Foram dias e nada dele aparecer (também, estava mais na cara do que bigode, de que ele não era flor que se cheirasse, né? Sim, ela foi imbecil por esperá-lo).

A cabrinha, por fim, levantou-se, reergueu-se, conformou-se, limpou a sujeira em seu pêlo e pôs-se a caminhar e seguir a sua vida como de costume.

Só, que o que ela não imaginava, é que iria cruzar com ele em um trecho do caminho.
Ele abaixou para olhá-la e disse em tom suave: “Me desculpe, minha cara. Reconheço que fui grosseiro e peço novamente que me perdoe. Estarei aqui sempre que precisar pois gosto muito de você” – disse isso e sorriu como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse machucado e abandonado a pobrezinha, deixando-a esperando por um longo tempo sem resposta alguma.

A cabra abriu um sorriso, olhou-o bem no fundo dos olhos e disse: “Está desculpado. Agora, meu caro, vá pastar!!!!” – e saiu para nunca mais voltar.

MORAL DA HISTÓRIA: Se uma pessoa te faz mal e depois diz gostar de você: dê o perdão e mande ela pastar! Quem gosta de você não te faz mal.

BEIJOMELIGA ;)


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