Tudo Azul
Azul.
Foi o mar que me deixou levar para um lugar distante, onde fiquei a procurar todo o tempo, que eu fiquei tão só a ponto de não conseguir me encontrar nem ao meu próprio lado.
E agora isso é tudo.
Azul do céu que me apresentou todas as formas que as nuvens poderiam tomar, mas, que esqueceu de me ensinar como as pessoas podem também mudar drasticamente, quando menos esperamos.
Azul das hélices do ventilador que ficam rodando na sala, nos dias insuportáveis de verão, que me assopram o rosto para amenizar o desconforto do dia quente, mas, que esqueceram de me avisar que esse sopro não aliviaria as feridas no meu coração.
Azul das bolinhas desenhadas no lençol da cama, que cobre o colchão onde repouso o meu corpo para descansar no final do dia, mas, que não me avisou que isso não vai servir também para relaxar a mente, que insiste em continuar me indagando sobre a vida quando me deito.
Azul da caixa de cartas antigas em cima do guarda-roupa, que guarda relíquias e sentimentos esquecidos no tempo, mas, que não me avisou que isso não serve para guardar as angústias e sofrimentos atuais para que eles sejam perdidos no meio do papel antigo lá dentro.
Tudo azul.

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