De Volta
Ela tinha suspirado o suficiente, chorado o suficiente e imaginado coisas demais.
Era hora, finalmente, de abrir os olhos cansados da monotonia e olhar para o céu, o sol e todas as tantas outras coisas lindas ao seu redor: pessoas sorrindo, os dias mais lindos, o colorido indecifrável do céu todas as tardezinhas, enfim, era hora de VIVER.
Respirou fundo, agarrou a maçaneta com força, fazendo com que os dedos úmidos deslizassem enquanto a girava. Foi abrindo vagarosamente e seus olhos quase que fecharam com a falta de costume àquela claridade lá fora.
Se esforçou ao máximo para dar um passo à frente.
Concentração, força, paz, serenidade, vontade de viver, vontade de seguir, um pé levantando rumo à calçada, um pé direito seguindo, descendo para encontrar o chão pela primeira vez.


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