Gosta? Então deixa pra lá...

Certo dia um aluno, com 6 anos de idade, veio reclamar sobre uma coleguinha.

"Tia, ela não para de me abraçar, me puxar, me chamar! Que raiva!!!"

Comecei a rir e pedi para o tal aluno chamá-la.
A garotinha (com os mesmos 6 anos) chegou sorrindo tímida.
Um sorrisinho amarelo de quem acreditava que levaria um sermão.
Sorri para a pequena e fui logo perguntando.

"Meu bem, você está em cima dele. Apertando, abraçando, chamando e ele não está muito contente.
Você gosta dele?"

O menino, ao ouvir aquilo, logo mandou um "Ahhhhhh, credo!" e fez o sinal da cruz.
Achei engraçado.
Ela, mesmo tendo visto aquela reação negativa do colega, respondeu que sim com a cabeça, ainda tímida.

Então era isso.
Amorzinho platônico.
Confirmado pela própria.
Que o menino fez questão de desconjurar, claro.

Chamei-a de canto e disse, bem séria.
"Você gosta mesmo dele, né?"
A menina confirmou mais uma vez, me olhando envergonhada. E continuei.
"Lembre-se disso pelo resto da sua vida. Se você gosta mesmo dele, então deixa ele em paz."

A menina deu um sorriso e voltou para o seu lugar.
Não sei se conseguiu entender o que eu disse, mas eu sabia exatamente sobre o que estava falando.
Crianças... sempre tão puras e transparentes.

Ela eu não sei.
Mas eu entendi.


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